RETENÇÃO DE TALENTOS
O desafio que as empresas ainda não entenderam
SAÚDE MENTAL
Ana Almeida
4/27/20262 min read
Os dados mais recentes sobre o mercado de trabalho mostram um desafio claro: reter talentos se tornou mais difícil do que contratar. Mas, talvez, estejamos olhando para o problema da forma errada.
Porque o que está acontecendo hoje vai além do trabalho. Existe um movimento silencioso, e crescente de piora na saúde mental das pessoas.
⚠️ Segundo a Gallup, o nível de estresse e emoções negativas no dia a dia atingiu um dos pontos mais altos dos últimos anos.
⚠️ A World Health Organization também alerta que transtornos como ansiedade e depressão aumentaram significativamente no mundo, impactando diretamente a capacidade de trabalhar, se concentrar e se engajar.
Ou seja: não estamos falando apenas de profissionais. Estamos falando de pessoas emocionalmente sobrecarregadas. E essas pessoas… saem todos os dias para trabalhar.
Chegam nas empresas já lidando com conflitos internos, cansaço mental, falta de sentido. E isso, inevitavelmente, aparece no comportamento.
Não como algo explícito, mas nos detalhes:
irritabilidade
reações desproporcionais
dificuldade de concentração
queda de energia
ou, muitas vezes, apatia
Pessoas que começam a trabalhar no automático. Fazem o que precisa ser feito, mas sem presença, sem conexão, sem envolvimento real.
E aqui está um ponto crítico que poucas empresas estão olhando com profundidade: o desafio não está apenas em contratar alguém bom. Está em sustentar essa pessoa depois.
Porque quando existe uma questão interna não resolvida, ela não fica do lado de fora. Ela entra nas reuniões. Nas entregas. Nas relações. Na forma como decisões são tomadas.
E, com o tempo, o impacto é inevitável: menos inovação, menos criatividade, menos colaboração. Eu falo disso com propriedade, porque eu vivi esse processo.
Apesar de muitas pessoas não concordarem, eu afirmo que meu adoecimento não pode ser considerado, integralmente, responsabilidade da empresa. Houve a sobrecarga, a falta de apoio, mas muito foi efeito das inconsistências e inquietações internas.
Em algum momento, eu me desconectei de mim mesma. Segui o fluxo e quando vi, aquilo não fazia mais sentido. E me dei conta de questões profundas, como não me identificar com a pessoa rígida e estressada que eu havia me tornado. Eu queria leveza.
E segui até não dar mais. Produzindo, mas não mais sendo criativa, motivada como eu fui um dia.
Essa experiência mudou completamente a forma como eu enxergo o trabalho. Porque não se trata apenas de performance. Se trata de coerência entre quem você é e a vida que você está sustentando.
E quando isso não existe, o custo aparece no corpo, na mente e no comportamento.
Por isso, quando falamos de retenção, talvez a pergunta não seja apenas: como manter talentos? Mas sim: como cuidar de pessoas que podem chegar já precisando de cuidado?
