A ORIENTAÇÃO QUE EU NÃO RECEBI QUANDO ASSUMI MINHA PRIMEIRA LIDERANÇA
Os desafios de virar líder sem orientação.
Ana Paula Almeida
6/15/20263 min read
Como acontece com a maioria das pessoas, eu virei líder de um dia para o outro.
Por mérito, sem dúvida. Mas sem preparo, orientação ou treinamento.
Naquele momento, eu acreditava que precisava aprender sobre gestão. E aprendi.
Estudei processos. Organizei indicadores. Busquei especializações. Desenvolvi métodos. Aprendi ferramentas. No campo racional, dei conta.
Mas havia uma dimensão da liderança que eu não enxergava. E ela custaria caro mais tarde.
O que ninguém me ensinou sobre liderar pessoas
Quando somos promovidos, normalmente a empresa avalia nossa capacidade técnica. Mas liderar pessoas exige competências diferentes.
Você não lidera apenas com o que sabe. Você lidera com quem você é. Sua forma de reagir. Sua maneira de se comunicar. Seu nível de confiança. Sua tolerância ao erro. Sua capacidade de ouvir. Seu equilíbrio emocional.
Na época, eu não percebia isso. Eu liderava através das minhas qualidades. Mas, também, através dos meus medos.
Rigor excessivo.
Controle.
Perfeccionismo.
Necessidade de aprovação.
Medo de falhar.
Síndrome do impostor.
Tudo isso chegava ao trabalho comigo todos os dias. Mesmo quando eu não percebia.
O lado invisível da liderança
Os resultados apareciam. As entregas aconteciam. As metas eram alcançadas.
Por fora, parecia que estava tudo funcionando. Por dentro, o desgaste crescia silenciosamente.
Até que vieram mais responsabilidades. E depois a pandemia.
A pressão aumentou. As demandas cresceram. As incertezas se multiplicaram.
Foi quando comecei a perceber que talvez o problema não estivesse apenas nos processos, mas na forma como eu estava lidando com tudo aquilo.
O feedback que mudou minha visão
Decidi propor um feedback estruturado e anônimo aos meus liderados. Eu queria responder uma pergunta simples: Quem eu era na visão das pessoas que lidero?
Recebi muitos elogios. Mas algo me chamou atenção. Os principais pontos de melhoria não estavam relacionados ao conhecimento técnico. Eram emocionais.
Falavam sobre comunicação. Escuta. Proximidade. Flexibilidade. Forma de conduzir situações difíceis. E, confesso, aquilo foi um choque para mim. E também um convite.
Um convite para olhar para mim mesma com mais honestidade.
Só que nem sempre percebemos os sinais a tempo
Eu comecei a minha transformação, passei a refletir mais, a usar meus Talentos para facilitar as tarefas. Busquei mais consciência e obtive resultados. Melhorei a relação com meus liderados.
Mas não foi suficiente. O burnout chegou antes.
Hoje, olhando para trás, entendo algo que gostaria de ter aprendido muito antes:
A liderança não adoece apenas pelo excesso de trabalho. Ela também adoece pela falta de autoconhecimento.
Porque sustentar um personagem exige muito mais energia do que sustentar quem realmente somos.
O futuro da liderança será cada vez mais humano
Durante muito tempo acreditamos que os melhores líderes eram aqueles que tinham todas as respostas. Hoje, percebemos que os melhores líderes são aqueles que fazem melhores perguntas. Inclusive para si mesmos.
Pesquisas recentes reforçam que autoconsciência, inteligência emocional e capacidade de compreender o impacto das próprias emoções são fatores diretamente relacionados à eficácia da liderança.
Não porque líderes emocionalmente conscientes sejam perfeitos. Mas porque conseguem reconhecer limites, ajustar comportamentos e construir relações mais saudáveis.
Uma orientação para quem acabou de assumir uma liderança
Talvez, você também tenha sido promovido(a) pelo seu excelente desempenho técnico. E esteja sofrendo com os mesmos problemas que eu. Então, permita-me deixar uma orientação que eu gostaria de ter recebido anos atrás:
Entenda-se antes de querer fazer com que os outros lhe entendam. Lhe sigam. Lhe admirem.
Para refletir esta semana
Você pode ser tecnicamente excelente. Pode gerar resultados. Pode ser comprometido. Pode ser extremamente competente. Mas, se não cuidar do seu equilíbrio emocional e do seu desenvolvimento humano, os relacionamentos tendem a se tornar frios, distantes e desgastantes.
Autoconhecimento não é uma jornada simples, mas precisa ser iniciada em algum momento.
É uma necessidade.
Porque liderar pessoas exige, antes de tudo, a coragem de melhorar a si mesmo.
Ana Almeida Mentora de Autoconhecimento para Vida e Carreira
Ajudo pessoas a desenvolverem consciência, coragem e coerência para construírem uma trajetória profissional mais saudável, sustentável e alinhada com quem realmente são. Porque sucesso sem autoconhecimento costuma cobrar um preço alto demais.
